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O Luto das Crianças. O Que Fazer? Como Lidar?

26.5.21

Não tem sido fácil.

Estávamos em confinamento, privados das nossas rotinas habituais e dos afetos, a lidar com uma realidade asséptica que não nos é natural, a tentar fazê-lo da forma mais integrada que conseguimos e aprendendo todos os dias com os erros, com as frustrações, com os momentos felizes e com as vivências que vamos tendo.

De repente,  temos todos que lidar com a perda por morte de alguém que nos é tão querido. Como já disse aqui, eu perdi a minha sogra, o meu marido a sua mãe, os meus filhos a avó. 

É sempre uma dor enorme, mas nesta fase, em que até os rituais, que nos ajudam a elaborar, a fechar ciclos e a começar a processar a dor, estão diferentes e limitados, em que as nossas rotinas habituais também não são possíveis, tudo fica ainda mais complicado.

Aqui em casa, fui eu que dei a notícia. Estava sozinha com eles quando o pai me ligou a dizer o que tinha acontecido, eles já sabiam que a avó se tinha sentido mal e que o pai tinha ido lá.

Juntei-os aos três na sala, eles perceberam pela minha expressão que alguma coisa não estava bem, e com a voz mais calma que consegui naquele momento, expliquei que a avó não tinha conseguido resistir, que já estava muito doente e que tinha morrido.

Foi um momento muito, muito angustiante. Eles choraram muito, a irmã, por vê-los a chorar daquela forma, chorava muito também. Eu fiquei ali com eles, ficámos todos ali abraçados e deixei-os chorar o tempo que precisaram, sem pressas.

Só depois vieram as perguntas: Se foi COVID? O que aconteceu? Como aconteceu? Se a podiam ver...

Tentei responder a tudo com a verdade e com o que eu sabia, e expliquei também o que se ia passar agora nestes dias, o que era o velório, como seria o funeral.

O Afonso pediu-me para ir comigo, queria estar lá onde a avó estivesse, queria vê-la. Expliquei-lhe também que noutra altura o caixão estaria aberto e poderia ver, mas agora com o COVID, não. O caixão estaria fechado e não podia ser aberto. Insistiu que queria ir na mesma.

O Francisco, desesperado com toda a situação, ainda começou a ficar mais assustado com tudo o que o irmão dizia. Perguntou-me se também tinha que ir. Expliquei-lhes que não. Expliquei-lhes que deviam pensar o que queriam fazer, onde queriam estar e respeitar isso. Eu iria respeitar o que me dissessem que os ajudava nessa altura.

O Afonso voltou a dizer que queria ir, o Francisco pediu para ficar em casa. Assim foi.

Antes de ir com o Afonso ao velório expliquei tudo o que me lembrei, como seria o que iríamos ver, garanti-lhe que iria estar sempre com ele e que viríamos embora logo que ele dissesse que queria vir. Expliiquei-lhe que às vezes pensamos que queremos uma coisa, mas chegamos lá e já não queremos, não faz mal, ele só tinha que me dizer e voltávamos para casa. Assegurie-me de que ele tinha percebido e lá fomos, sempre de mãos dadas, sempre a tentar lê-lo. 

Foram momentos muito duros, vê-lo à procura da avó naquele sítio, de qualquer sinal, a olhar para o caixão fechado e a chorar de forma desesperada e ainda assim tão contida. Ficou a olhar a fotografia na entrada, e as pagelas com a fotografia da avó na mesa de entrada. Perguntou-me se estavam ali para se poder levar para casa, respondi que sim, pediu-me se podia levar uma e guardou-a como a um tesouro. Perguntou se podia escrever no livro de condolências e o que se escrevia ali. Expliquei. Escreveu o seu nome e desenhou corações e um anjinho.

Nem sei pôr por palavras o sofrimento que senti e pude testemunhar.

Viemos para casa quando ele me disse que podíamos vir, e no caminho perguntei-lhe se sabendo ele agora como é ter vindo ao velório da avó, se voltava a decidir vir ou se preferia ter ficado em casa. Respondeu logo e muito seguro de que quereria sempre vir e que também queria ir ao funeral. Assim foi.

Em casa encontrámos o irmão calado e com os olhos muito tristes e assustados. Perguntei se queria saber como foi ou se queria falar, não quis. Abracei-o e respeitei, um e outro, no seu sofrimento enorme e nas suas diferenças em senti-lo. 

Dois exemplos de como as crianças poder reagir de formas tão diferentes e em como os devemos apoiar e respeitar.

Não tendo sido nada fácil, e sendo este um assunto tão pouco falado e tão inevitável nas nossas vidas, sugiro aqui algumas leituras, que em família, podem trazer o tema de forma a acedermos e a sabermos como abordar o que pensam e sentem as nossas crianças sobre a morte e a perda.

Aqui ficam algumas sugestões de livros:

História do Sempre e do Nunca

Onde Está a Avó?

O Coração e a Garrafa

Um Avô Inesquecível

Não é Fácil, Pequeno Esquilo!

A Avó Adormecida

Eu Lembro-me

Noa 

A Ilha do Avô

Para Onde Vamos Quando Desaparecemos?

A Caixa da Avó Maria

A Morte Explicada aos Mais Novos


Para os pais ajudarem os seus filhos nesta dura tarefa temos o livro (para pais) 

As Crianças, A Morte e o Luto

e o jogo didático para jogar em família:

(Sobre)Viver na Selva


E também o filme Coco da Disney.

Não são temas nada fáceis, mas são temas centrais em que a nossa participação é preciosa para que possamos ajudar as nossas crianças a lidar com temas tão sensíveis.

ALERTA! COVID-19 Cá em Casa!

19.12.20

 

COVID-19 Positivo cá em Casa. O que fazer?


O nosso Afonso testou positivo para a COVID-19.

Parece que estamos a viver um filme de suspense e ficção científica. 

No final da semana passada, o Afonso foi convidado para ir filmar um anúncio institucional para a DGS, sobre as normas de segurança anti-COVID 19 na ceia de Natal. 
Ele disse logo que sim. 
Como o anúncio simula uma família à mesa, na Consoada e isso ia implicar que estivessem próximos e sem máscara, todos os participantes teriam que fazer o teste na véspera das filmagens.
Eu expliquei ao Afonso o que é o teste de zaragatoa, mostrei-lhe vídeos de pessoas a fazer o teste e expliquei-lhe que se não quisesse fazer, não precisava, não fazia a filmagem, depois quando já não estivéssemos em pandemia faria outros, mas o Afonso disse logo que queria fazer o teste e as filmagens também.

Foi fazer o teste, sentou-se, fez todas as perguntas à enfermeira, portou-se lindamente e diz que não custou nada. 

Passadas 2h eu recebo o resultado no meu telemóvel: POSITIVO.

Não sei explicar o que senti. Tive que ler várias vezes a mensagem: Positivo?! Mas como?! Não há sintomas nenhuns, nem mesmo a tal perda do paladar, nada...

E agora? É um turbilhão de pensamentos, medos e sentimentos eu nem sabia por onde começar. Na mesma mensagem vinha um número para esclarecimentos. Liguei. A minha perplexidade era tal que perguntei se devia repetir o teste, responderam que não, apesar de ser um teste rápido, é um teste de zaragatoa e é fiável, recebi indicações para ativar o protocolo.

Vou dizer-lhe na primeira pessoa como tudo se processa. Espero que não tenha que passar por isto, mas se acontecer consigo ou em sua casa, saiba que passos dar e prepare-se para andar sempre com todos os cartões de cidadãos da família no bolso. Vai precisar.

1 - Ligar para o Saúde 24 (808242424)
Informaram-me que já tinham o teste do Afonso no sistema e que ele estava em confinamento nos próximos 10 dias, nós todos cá de casa, como contactos de risco estávamos em confinamento por 14 dias.
Os passos seguintes eu fiz porque me deixou mais tranquila dar a notícia com a maior brevidade a quem poderia estar envolvido e necessitava estar alerta.

2 - Liguei para a professora do Afonso para a avisar e a professora ligou para o diretor da escola para ativar o protocolo da escola.

3 - Liguei para a Diretora de Turma do Francisco;

4 - Avisei a educadora da Sofia;

5 - Liguei para o ATL do Francisco e 

6 - Falei para o Conservatório.

7 - Enviei mensagem para o grupo de WhatsApp dos encarregados de Educação da turma do Afonso e expliquei a situação.

Tudo isto foi após as 18h, hora a que recebi o resultado do teste, e na manhã seguinte a turma do Afonso foi informada de que estava toda em confinamento e as crianças já nem se tiveram que se deslocar à escola.



No dia seguinte recebemos o telefonema da enfermeira da Saúde Pública a dizer-nos que:

1 - Estamos em confinamento por 14 dias;

2 - Perguntar-nos os sintomas de todos (por enquanto não temos nenhum) e pedir-nos que façamos a vigilância da febre de todos pelo menos 2Xs por dia;

3 - Enviou-nos as justificações de falta por e-mail;

4 - Enviou-nos os códigos para irmos todos fazer o teste e aconselhou-nos a só ir passados 4 ou mais dias do teste do Afonso, para que se ainda estivessem no início da doença, dar tempo para esta se desenvolver e mais facilmente testarmos positivo;

5 - Alertou para o facto de que mesmo que façamos o teste e estejamos todos negativos, teremos que nos manter em confinamento os 14 dias (a doença pode revelar-se até aos 14 dias, mesmo depois de um teste negativo)

e o telefonema da parte do Centro de Saúde para monitorizar o Afonso.

Até agora, tudo tem decorrido dentro do protocolo e não tenho nada a dizer do acompanhamento e das medidas tomadas pela Delegada de Saúde. Os colegas do Afonso também serão testados após 4 dias do teste do Afonso, e as escolas do Francisco e da Sofia foram contactadas para estarem atentos a eventuais sintomas. 

Até agora estamos todos assintomáticos, mas eu sinto-me sempre a olhar para todos à espera de ver surgir algum sintoma, uma tosse, um espirro, enfim...


Cá em casa que medidas tomámos:

1 - Andamos todos de máscara;

2 - Abrimos a mesa de refeição e ficamos todos muito distantes uns dos outros durante as refeições;

3 - Todos estão a dormir em quartos separados
O Francisco e o Afonso partilham o quarto, mas agora o Francisco está no quarto das visitas. A Sofia que ainda dormia na caminha dela no meu quarto, já está a dormir no quartinho dela.

4 - Casas de banho separadas;

5 - Muita lavagem das mãos com sabonete desinfetante.

Neste momento estamos assim, em Alerta Máximo. Vamos ver como evolui...

Dia Nacional do Psicólogo - Ser Psicólog@ em Tempos de Pandemia

4.9.20

 




Viver em tempos de pandemia, sabemos agora que não é fácil. Cada um de nós sabe que dificuldades lhe trouxe. A mim particularmente, que sou psicóloga clínica e professora em pós-graduações onde os meus alunos são psicólogos e cada um de nós tem acesso a muitas vidas, verdadeiro acesso a muitas vidas, temos muita noção do peso que tudo isto tem tido. E este peso, o da dificuldade do outro com quem  estamos a trabalhar, também pesa sobre nós.

Este ano a dificuldade tem sido tanta nas vidas que acompanho, que tomei a decisão de não tirar mais que meia dúzia de dias de férias para que pudesse trabalhar todas as semanas, para que pudesse ajudar na dificuldade de cada um tudo aquilo que consigo. E como eu, muitos.

E esta batalha continua, não sabemos por quanto tempo, não sabemos de que forma, não sabemos com que contornos. Sabemos que estamos cá para dar o nosso melhor.

Por tudo isso, soube ainda melhor ouvir estas palavras do Presidente da República, da Ministra da Saúde, do Ministro da Educação e de todos os outros nomes de referência que já aqui falaram e que vão falar ao longo do dia,  que hoje aqui deixo e dedico a todos os psicólogos:


 

Feliz Dia Nacional do Psicólogo. Feliz dia, colega!

Manual de Sobrevivência Para Férias de Verão em Tempo de Pandemia

3.8.20
Neste ano estranho e incerto que vivemos, estamos todos ainda mais stressados e cansados, a precisar ainda mais de férias que nos outros anos, e cheios de medos e inseguranças sobre se devemos ou não tirar férias, se devemos ou não ir de férias. As férias que seriam foco de descanso e prazer estão também elas a ser mais um foco de angústia e stress, a ponto da Ordem dos Psicólogos Portugueses ter produzido estas diretrizes para o ajudar a planear e a fazer férias.
Leia, faça o seu plano e partilhe para que possamos ajudar ainda mais gente.
Obrigada e Boas Férias!!!






Kit Psicológico Para o Desconfinamento

10.7.20
Primeiro foi o susto, o pedido para ficarmos em casa e o nosso confinamento, agora é a noção do perigo eminente e o pedido para voltarmos ao chamado "Novo Normal".
Mas como é que fazemos isso?
Temos medo de nos desproteger, de desproteger os outros, de trazer a doença para os nossos. 
Temos medo de ter medo e fazer mal o que temos a fazer.
Nem sempre sabemos como podemos fazer até as coisas mais simples.
É mais um desgaste, mais uma angústia...
Será que devo ir? Será que posso convidar? Será que é seguro?
Tudo isto provoca um cansaço e desgaste acrescido, tudo isto é muitas vezes difícil e sentido-nos perdid@s e com receio de estar a proceder mal.

Por todas estas dificuldades que agora vivemos, fica a dica deste Kit Psicológico Para o Desconfinamento com a chancela da Ordem dos Psicólogos Portugueses, para ler, seguir e partilhar para que possamos juntos estar melhor e mais preparados para estes estranhos tempos que agora vivemos.

Pegue no seu kit e vamos a isso!








A Incerteza Faz Parte da Vida - Como Lidar Com Ela?

26.6.20

Estranhos e angustiantes tempos estes que vivemos...
Não sabemos como foi possível alterar toda a nossa vida, alterar tudo à nossa volta assim, da noite para o dia.
Não sabemos bem como aqui chegámos, nem como vai ser a partir de agora. Não podemos fazer previsões, não sabemos quanto tempo isto vai durar, de que mais formas nos irá afetar ou como vai ser depois. E sobretudo,  não sabemos como lidar com esta enorme incerteza e com o aperto que nos provoca no peito.
É mesmo uma tarefa muito séria e para @ ajudar deixo-lhe aqui as diretrizes com a chancela da Ordem dos Psicólogos Portugueses.
Leia, partilhe e divulgue, assim estamos a ajudar ainda mais pessoas.
Obrigada!








E não se esqueça:

 Isto também vai passar!


E O Que É Que Isso Interessa? (As Crianças Não Nascem a Discriminar)

11.6.20


Com Bicharocos Carpinteiros
O Nosso Francisco no catálogo YAY
 pela câmera da Anna Nunes


Passava uma notícia sobre o caso George Floyd na televisão. Enquanto isso, o Afonso perguntou:


Afonso - Mãe, o que é que é uma pessoa negra?

Eu - Olha ali na televisão, vês a cor da pele desta pessoa? Esta pessoa tem pele clara, diz-se que é uma pessoa branca. Olha, vês esta pessoa? (outra imagem do noticiário) Vês a cor da pele dela? É mais escura, diz-se que é uma pessoa negra, como a Cátia e o Carlos, os gémeos da tua sala.

Afonso - Ah, é isso??? E o que é que isso interessa?

(Estou tão feliz)

Retratos De Uma Quarentena

21.5.20
Imagem


Estamos numa nova fase deste desconfinamento. Não é um voltar à normalidade, é um abrir cauteloso de alguns serviços. Há novas normas que todos temos que respeitar e respira-se um medo denso de como será esta nova fase...

Aqui em casa tudo vai continuar da mesma forma. Todos em casa, nós em teletrabalho e os filhotes em escola em casa. Um logística densa e a vivência de uns tempos estranhos sob muitas perspectivas...

Desde dia 13 de março que vim para casa, viemos todos em quarentena para tentarmos minimizar o impacto deste novo Corona Vírus.

Desde então continuei a trabalhar online e do outro lado da minha vida tenho testemunhado muitas formas diferentes de como a quarentena nos tem afetado a todos. Algumas muito particulares, todas muito curiosas e hoje partilho consigo algumas das que mais me fizeram pensar. São 3 situações, mas poderiam ser muitas mais. Elas representam partes de todos nós que merecem ser pensadas, vistas. Pensar sobretudo em como queremos que tudo seja depois, sobre como andamos tantas vezes absorvidos por coisas secundárias, como quando alguma das nossas certezas e seguranças nos falta, podemos olhar de facto para tanta coisa que estando sempre à nossa frente, nem sempre nos é visível.

D. Alice, reformada, 73 anos

... Sabe doutora, eu não posso dizer isto a ninguém, só a si aqui na consulta, mas sabe que isto da quarentena para mim até tem sido bom.
 A doença não, essa se eu pudesse acabava já com ela, mas a quarentena tem sido ótima! Olhe, há meses, muitos meses que eu não via tanto os meus filhos e netos como agora. Há anos que aqui estou sozinha e os meus filhos nunca têm tempo para me vir visitar, ou mesmo para ligar. Bem sei que têm vidas muito atarefadas, é verdade, mas os dias vão passando e nunca ligam. Eu quando lhes ligo sou logo despachada porque ou estão a trabalhar, ou estão a tratar das crianças, enfim, andam lá nas vidas deles.
Agora, não. Trouxeram-me para aqui o tablet e todos os dias os vejo, falo com eles com tempo e até me põem a ver as brincadeiras dos meus netos. Eu estou encantada!
Quanto a sair de casa, eu já passava semanas sem sair, e quando me queixava que me custava muito a sair e a ir às compras, que fico cheia de dores de empurrar o carrinho e de subir com os sacos, diziam-me que eu tinha que sair, que tinha que me esforçar para ir, que isto assim não era vida para mim... Acho que nunca me ouviram quando eu lhes falava das dores que sentia.
Agora perguntam-me de que preciso e ora um, ora outro, quando vão às compras compram as minhas compras, vêm deixar-me os sacos aqui à porta e ainda lhes faço adeus da janela. Isto tem sido tratamento de luxo! Por mim, a doença que vá embora depressa, mas a quarentena pode ficar.



São, trabalha na área financeira, 41 anos. Está neste momento em casa, em teletrabalho, mãe de 3 filhas todas em casa a frequentar a escola em casa.

Hora da consulta, envio mensagem para saber se posso ligar, recebo de volta a mensagem com resposta afirmativa, ligo a video-chamada. A imagem abre, olho para ela, conhecemos-nos há já uns meses, vimo-nos todas as semanas e eu nunca tinha visto este olhar. É um misto de angústia e alívio... Estarei a lê-la bem?
Vou-a cumprimentando enquanto tudo isto passa na minha cabeça e dou-lhe a palavra.
- Ainda bem que podemos fazer estas consultas on-line e que chegou a hora da consulta. Tenho aprendido consigo a chorar, a não ter vergonha de o fazer e a sentir que não é um sinal de fraqueza, mas uma necessidade.
Nunca esta aprendizagem me fez tanta falta.
Hoje deixe-me só chorar... Preciso de chorar aqui consigo, preciso deste tempo só para mim (lágrimas em fio pelo rosto).
Passo o meu tempo a dizer a toda a gente que estamos bem, que isto da quarentena até é bom porque temos mais tempo para estarmos juntos, fiz um plano com todas as tarefas, as miúdas até são responsáveis, que tudo vai passar, que tudo vai ficar bem, ajudo-as nas tarefas, tento resolver os problemas infindáveis do trabalho, ligo aos familiares para ver se estão bem, organizo as listas das compras para sair o menos possível e faço quase todas as compras on-line, ajudo nas tarefas escolares, passo horas no fim de semana a fazer o horário de todas e revejo-o todas as noites quando revejo também os agenciamentos das reuniões do trabalho e como está a concretização dos objetivos, faço as refeições, limpo, e nunca sinto que consigo chegar ao que me proponho. Sinto que falho a todos o momento, mas nem ouso pensar nisto muito. É seguir em frente que amanhã será melhor, e não é, nunca é...
Mas agora não quero falar mais disto. Deixe-me só ficar aqui consigo e chorar...



Rute, Enfermeira, 28 anos

Tenho muito medo.
Eu, que no início adorei ficar a trabalhar no internamento com doentes COVID-19, achei que aí sim eu ia fazer a diferença, e que não sendo de risco, isto nunca me iria afetar, hoje tenho muito medo.
Pensamos que é só uma gripe, só afeta quem é de risco, na televisão aparecem números e os nossos até são números bonitinhos em comparação com Espanha e Itália, mas depois chego ao trabalho e esses números têm nomes, e agonizam de formas que ainda não conhecemos bem, e estão sozinhos. Nós somos as únicas pessoas que vêem, os que conseguem ver-nos. Sem visitas, sem a família...
A doutora não acredita que se pode morrer de solidão?
E depois venho para casa e tenho medo de contaminar os meus. Já não os vejo há semanas e se sofro tanto pela distância, sofro também horrores por poder ser responsável por ver um dos meus a sofrer disto, como vejo os meus doentes.
Engraçado... Agora a aqui na consulta dou-me conta que também eu estou sozinha... tão sozinha...


Gravidez, Maternidade e Casais em Tempo de COVID-19

11.5.20
A gravidez é sempre entre muitas coisas, um misto de magia e insegurança, esperança e medo. Em tempos de pandemia muitos outros receios se levantam e não só para as grávidas, mas para mães, pais, casais, todas estas dinâmicas associadas ao vírus e à quarentena dificultam, assustam, desgastam.

Para lidarmos melhor com tudo isto a Ordem dos Psicólogos publicou estas recomendações que aqui lhe deixo.

Espero que ajude.

Leia, divulgue e partilhe. Quanto mais gente puder usufruir destas recomendações, mais podemos estar a ajudar.









Manual de Sobrevivência Para Fazer Face ao Isolamento

24.4.20
Andamos todos cansados, nervosos, desgastados. 

É o tempo que estamos fechados em casa, sem sair, é o trabalho online, a escola em casa, a falta que nos faz um café com os amigos, apanhar sol numa esplanada, um passeio junto ao mar.

Faltam-nos os abraços, os silêncios juntos, as conversas até madrugada. Os nossos pais, os nossos filhos, os Nossos...

Não está a ser fácil.

Numa tentativa de ajudar, fica o Manual de Sobrevivência para Fazer Face ao Isolamento, com a chancela da Ordem dos Psicólogos.

Leia, siga, partilhe, e aguente, para que rapidamente nos possamos abraçar lá fora. 








Quando Uma Gripe Não é Só Uma Gripe...

29.3.20
Mamã e bebé; Com Bicharocos Carpinteiros


Estávamos em casa há uma semana quando a Sofia começou a tossir.

(Terá apanhado uma corrente de ar?)

No meio de tantos afazeres de família de 5 em quarentena, ia esperando que ela melhorasse e vigiando se aparecia tosse nos manos. Ela não melhorou, os manos mantinham-se bem.

Sábado acordou com os olhitos muito congestionados e a mesma tosse. Com o passar das horas vi que também tinha o nariz a pingar.

(É só uma constipação. Se calhar até é algum dentinho que está a romper.)

Fizemos aerossóis, vigiámos a temperatura.

(Amanhã já vai estar melhor. Amanhã já passou.)

No domingo piorou e no final da tarde ardia em febre.
A Sofia ainda nunca tinha tido febre...
Enviei mensagem à nossa pediatra com os sintomas da Sofia.

(Ela vai ver a mensagem e vai dizer que isto não é nada.)

Chegou a mensagem da pediatra:
"Tratar em casa como se fosse uma constipação comum e afastar dos irmãos dentro do possível"

(O chão fugiu-me debaixo.
na minha cabeça ecoava: COMO SE FOSSE UMA CONSTIPAÇÃO COMUM; COMO SE FOSSE UMA CONSTIPAÇÃO COMUM; COMO SE FOSSE UMA CONSTIPAÇÃO COMUM...
E se não for?
E se for a tão assustadora COVID-19?
Foi deste pensamento que andei a fugir desde que a ouvi tossir pela primeira vez. Fiz todo o esforço para não me render a esta ideia e ao medo que ela traz consigo, não ousei pronunciar este medo e nem me permiti pensá-lo. Mas agora ele tirava-me o chão apertáva-me a garganta com força e fazia-me olhar para a Sofia com angústia.)

Mesmo com o Ben-U-Ron, com o aproximar da noite, a febre teimava em não ceder e a Sofia começou a ter uma respiração ofegante.
Filmei-a e enviei para a pediatra.
Nova mensagem da pediatra:
"Tem que fazer Ventilan"

Lá foi o pai munido de álcool gel e luvas à farmácia, enquanto eu fiquei a tentar gerir a Sofia, sempre ao colo, muito chorosa e aflita, e os manos nas rotinas de final de dia. 
A minha cabeça rebentava de ideias horríveis que tentava disfarçar para os meninos, enquanto via a Sofia mais e mais aflita para respirar.

Chegou o pai. Sapatos à porta, muda de roupa, banho. 
Manos deitados e finalmente fazemos os aerossóis. Melhorou um bocadinho. Passou a noite muito agitada. Passei a noite a olhar para ela, com a cabeça a rebentar de pensamentos assustadores. Ainda foram 3 dias bastante difíceis e depois começou a melhorar, a sorrir como só ela, a voltar a estar bem disposta.

Faz hoje uma semana do seu pior momento. 

Nesta fase que vivemos nenhuma constipação é apenas uma constipação. Mantenha-se protegid@ e em casa e muita força a todas as famílias que passam por sustos ou confirmações desta doença que nos testa a todos de várias formas, a todos os instantes.



1/2 Dúzia de Dicas para Ajudar as Crianças a Lidar com o Stress Durante o Surto de COVID-19

11.3.20

Do outro lado da minha vida (sou psicóloga clínica e professora de psicoterapia) tenho crianças, adolescentes e adultos muito preocupados e aflitos com o COVID-19.

Por esse motivo, deixo-lhe aqui dicas e formas de ajudar a combater o vírus, assim como o stresse e a ansiedade causada a todos por ele.

No que respeita às crianças, que estão imersas em notícias que nem sempre compreendem ou sabem digerir, ajuda se seguir as indicações que aqui lhe deixo hoje.

Vamos proteger e ajudar para que todos possamos passar por este surto da melhor e mais saudável e protegida forma.

Manual de Sobrevivência para Grávidas - Criopreservação das Células Estaminais

18.7.19

https://www.facebook.com/bicharocoscarpinteiros/


A decisão de fazer ou não fazer a criopreservação das células estaminais, não foi tomada agora, mas antes do nascimento do Francisco. Aí decidimos que faríamos este "seguro de saúde" que esperamos nunca ter que utilizar ou ativar, mas que não ficaríamos tranquilos se não fizéssemos.
Depois desta decisão tomada ao primeiro filho, com os seguintes mantivemos o mesmo princípio, fizemos para o Afonso e vamos fazer agora também.

Hoje em dia já é possível preservar sangue e tecido do cordão umbilical e por isso optámos também por fazer a recolha dos dois, e este serviço pelo qual optámos, o serviço Premium+ da Future Health, tem ainda um serviço que eu não conhecia e achei muito interessante que permite fazer já o despiste através de um teste genético, que destaca a predisposição genética do bebé para doença celíaca, intolerância à lactose, síndrome do sabor amargo e surdez induzida por medicamentos.

Escolhemos o serviço que já inclui tudo isto e o nosso kit de recolha já chegou.

Tudo está a fazer lembrar-nos que falta pouco, falta muito pouco para conhecermos cá fora a nossa bebé...



https://www.facebook.com/bicharocoscarpinteiros/

Vamos lá Falar de Coisas Sérias... Telemóveis na Infância

30.11.18
Está a chegar o Natal e aquilo que mais é pedido como presente, não são brinquedos, são telemóveis.

As crianças pedem-nos cada vez mais cedo e em todas as idades e usam-nos muitas vezes de forma desregrada, aliás tal como muitos adultos.

Sabemos que o uso prematuro, excessivo e desregrado dos telemóveis pelas crianças pode causar danos irreversíveis no seu funcionamento e o uso desregrado dos adultos que a rodeiam também...

Guarde o telemóvel agora, veja este filme e descubra de que formas.




20 de Outubro - Dia Mundial de Combate ao Bullying

21.10.18
Dia 20 de Outubro assina-se o Dia Mundial de Combate ao Bullying.



Este é um assunto muito sério, que já todos ouvimos falar, mas pouco conhecemos a verdadeira dimensão, mesmo quando atinge as nossas casas.

Do outro lado da minha vida encontro-me frequentemente com este problema, quer na vítima, quer no agressor, ou ainda com os pais de ambos e professores.

A maior parte das crianças perante este tipo de agressão dos colegas para consigo, nem sempre fala, nem sempre pede ajuda. Podemos ter em nossa casa uma criança que é vítima e não sabermos. Para nos apercebermos é necessário estar próximo e atent@.

Quando falo de proximidade, falo de relação. Para estarmos próximos das nossas crianças é necessário alimentar a nossa relação com elas diariamente, quando cuidamos delas, quando brincamos com elas, quando nos interessamos e ouvimos verdadeiramente os assuntos que nos confiam, e ainda assim, não esteja à espera que ela lhe venha dizer espontaneamente que é vítima de Bullying, pode acontecer, mas é apenas uma minoria a criança que fala do assunto por sua própria iniciativa. Esteja atent@ a mudanças do comportamento, alterações no sono, no apetite, nas brincadeiras, crianças que ficam mais introspectivas, mais isoladas...

Por vezes um livro pode ajudar a abrir a temática e a que a criança se identifique e fale sobre o assunto.

Para a fase do pré-escolar e primeiro ciclo deixo-lhe algumas sugestões de livros aqui:

























Para as crianças que frequenta, o segundo ciclo, os 5º e 6º anos, deixo-lhe esta sugestão:






Estes livros são ótimas sugestões de leitura para miúdos e graúdos, pois abordam temas importantes para a educação de qualquer criança.

Ainda sobre esta temática e a convite da Magda Gomes Dias mentora do blog Mum's The Boss e da Escola da Parentalidade e Educação Positivas, escrevi este artigo sobre o tema do Bullying para o número de setembro da revista Parentalidade Positiva, que pode ver aqui:




Mas falar apenas da vítima não esgota a temática do Bullying. 
E o agressor? O que faz de uma determinada criança, o agressor?
Podem ser variados fatores, mas para compreender este fenómeno também necessitamos perceber que o agressor é frequentemente, também uma criança que está desregulada e em sofrimento. O Bullying é uma questão social, educacional e emocional densa, para a qual necessitamos de nos debruçar mais e melhor tentando sempre compreender e educar numa perspetiva de aceitação e respeito pelo outro e por si própri@.

Grande missão para nós educadores. Vamos a isso?

Queremos os Melhores Resultados Escolares para os Nossos Filhos? Veja Aqui Como Se Consegue

6.9.18
Com a escola a começar, a angústia das famílias aumenta.
A dos pais, que correm a escolher a melhor escola, que se debatem entre escolher a pública ou a privada, entre a mais cara ou a mais antiga, aquela que eles frequentaram ou a que os rankings dizem ser a melhor?
E a dos filhos, que percebem que devem ter pela frente uma tarefa hercúlea, pela angústia estampada nos pais, pelos avisos da família, dos vizinhos, dos amigos:
- Já vais para o 1º ano? Ah, agora já é a sério, tens que te portar bem e estudar muito;
- ...tens que estar caladinho;
- ...tens que ter atenção ao que o professor diz;
- ...agora acabou-se a brincadeira. Brincar é só no recreio.

E tudo isto se adensa com o início das rotinas, acordar cedo, cedo e correr, correr para a escola e para os trabalhos, passar lá o dia todo, e regressar a casa de noite, com os trabalhos de casa para fazer, banhos e jantares, preparar lancheiras e correr para a cama que já é tarde.

O tempo corre e passa comprometendo a calma e a disponibilidade para desfrutarmos uns dos outros, e cresce-se assim...

E será que no meio de tudo isto conseguimos o melhor para os nossos filhos?

Para responder a esta pergunta vamos ver quem tem os melhores resultados na educação. É a Finlândia. Então que tal ver melhor o que fizeram para conseguir estes excelentes resultados? Talvez consigamos trabalhar nesse sentido e ter o melhor cá também.
Trabalham mais? Serão mais rígidos nos programas? Terão programas mais exigentes?
Veja o filme e surpreenda-se.



Aqui está muito daquilo em que eu acredito.
É muito importante pensarmos todos, enquanto pais, enquanto educadores, enquanto comunidade, que queremos o melhor para os nossos filhos, que caminho há que percorrer.

Atenção Pais! Há Um Novo Perigo Que Nos Pode Entrar Em Casa

1.8.18
Atenção pais,

chegou mais um perigoso desafio na Internet, do género da Baleia Azul, que deve conhecer para proteger os seus filhos.

Infelizmente o jogo já chegou a Portugal e é importante saber o mais possível sobre ele e sobre as suas formas, para perceber melhor como pode entrar na sua casa e como pode alertar e defender os seus filhos.


Veja aqui:

Momo. O novo desafio da internet é arrepiante e pode ser tão perigoso como a Baleia Azul

Como é que funciona o Momo

O (grave) problema dos imitadores do Momo





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