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Dia Nacional do Psicólogo - Ser Psicólog@ em Tempos de Pandemia

4.9.20

 




Viver em tempos de pandemia, sabemos agora que não é fácil. Cada um de nós sabe que dificuldades lhe trouxe. A mim particularmente, que sou psicóloga clínica e professora em pós-graduações onde os meus alunos são psicólogos e cada um de nós tem acesso a muitas vidas, verdadeiro acesso a muitas vidas, temos muita noção do peso que tudo isto tem tido. E este peso, o da dificuldade do outro com quem  estamos a trabalhar, também pesa sobre nós.

Este ano a dificuldade tem sido tanta nas vidas que acompanho, que tomei a decisão de não tirar mais que meia dúzia de dias de férias para que pudesse trabalhar todas as semanas, para que pudesse ajudar na dificuldade de cada um tudo aquilo que consigo. E como eu, muitos.

E esta batalha continua, não sabemos por quanto tempo, não sabemos de que forma, não sabemos com que contornos. Sabemos que estamos cá para dar o nosso melhor.

Por tudo isso, soube ainda melhor ouvir estas palavras do Presidente da República, da Ministra da Saúde, do Ministro da Educação e de todos os outros nomes de referência que já aqui falaram e que vão falar ao longo do dia,  que hoje aqui deixo e dedico a todos os psicólogos:


 

Feliz Dia Nacional do Psicólogo. Feliz dia, colega!

O Primeiro Bebé da Minha Vida

9.7.20

Irmãos



O primeiro bebé da minha vida, faz hoje anos,
a minha irmã. 
O primeiro bebé por quem me apaixonei para a vida toda.
Não sei explicar a sensação de ver este pequenino ser, tão suave, entrar nas nossas vidas e tomar conta delas logo ali... 
E ainda bem que assim foi.
Sinto que a partir daquele momento passámos a ser as duas parte de uma identidade só nossa. Tenho a certeza que eu não seria quem sou se não tivesse tido ESTA irmã.
Ela é a razão de muita, muita coisa na minha vida e a principal responsável por eu ter dito sempre que podia até nem ser mãe, mas se fosse, 1 não seria número de filhos para mim. Sempre pensei e penso, que o melhor que podemos dar a um filho, são irmãos.
E em tantos anos de vida, se houve alguns, poucos, em que não estivemos juntas neste dia, era porque íamos estar juntas um ou dois dias depois e comemorar este dia com bolo de chocolate e o que mais nos apetecesse. Hoje não vai ser assim...
O Vírus fez com que não viesse na Páscoa, porque nem voos havia, e com que tenham decidido (e bem) não vir ao continente este ano. 
Tantas saudades...
Que tenhas um dia muito, muito feliz, com bolo de chocolate e muitos miminhos e eu cá te espero para uma comemoração de aniversário fora de época, com tudo o que temos direito, logo que nos possamos abraçar.
Parabéns, mana! 

Retratos De Uma Quarentena

21.5.20
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Estamos numa nova fase deste desconfinamento. Não é um voltar à normalidade, é um abrir cauteloso de alguns serviços. Há novas normas que todos temos que respeitar e respira-se um medo denso de como será esta nova fase...

Aqui em casa tudo vai continuar da mesma forma. Todos em casa, nós em teletrabalho e os filhotes em escola em casa. Um logística densa e a vivência de uns tempos estranhos sob muitas perspectivas...

Desde dia 13 de março que vim para casa, viemos todos em quarentena para tentarmos minimizar o impacto deste novo Corona Vírus.

Desde então continuei a trabalhar online e do outro lado da minha vida tenho testemunhado muitas formas diferentes de como a quarentena nos tem afetado a todos. Algumas muito particulares, todas muito curiosas e hoje partilho consigo algumas das que mais me fizeram pensar. São 3 situações, mas poderiam ser muitas mais. Elas representam partes de todos nós que merecem ser pensadas, vistas. Pensar sobretudo em como queremos que tudo seja depois, sobre como andamos tantas vezes absorvidos por coisas secundárias, como quando alguma das nossas certezas e seguranças nos falta, podemos olhar de facto para tanta coisa que estando sempre à nossa frente, nem sempre nos é visível.

D. Alice, reformada, 73 anos

... Sabe doutora, eu não posso dizer isto a ninguém, só a si aqui na consulta, mas sabe que isto da quarentena para mim até tem sido bom.
 A doença não, essa se eu pudesse acabava já com ela, mas a quarentena tem sido ótima! Olhe, há meses, muitos meses que eu não via tanto os meus filhos e netos como agora. Há anos que aqui estou sozinha e os meus filhos nunca têm tempo para me vir visitar, ou mesmo para ligar. Bem sei que têm vidas muito atarefadas, é verdade, mas os dias vão passando e nunca ligam. Eu quando lhes ligo sou logo despachada porque ou estão a trabalhar, ou estão a tratar das crianças, enfim, andam lá nas vidas deles.
Agora, não. Trouxeram-me para aqui o tablet e todos os dias os vejo, falo com eles com tempo e até me põem a ver as brincadeiras dos meus netos. Eu estou encantada!
Quanto a sair de casa, eu já passava semanas sem sair, e quando me queixava que me custava muito a sair e a ir às compras, que fico cheia de dores de empurrar o carrinho e de subir com os sacos, diziam-me que eu tinha que sair, que tinha que me esforçar para ir, que isto assim não era vida para mim... Acho que nunca me ouviram quando eu lhes falava das dores que sentia.
Agora perguntam-me de que preciso e ora um, ora outro, quando vão às compras compram as minhas compras, vêm deixar-me os sacos aqui à porta e ainda lhes faço adeus da janela. Isto tem sido tratamento de luxo! Por mim, a doença que vá embora depressa, mas a quarentena pode ficar.



São, trabalha na área financeira, 41 anos. Está neste momento em casa, em teletrabalho, mãe de 3 filhas todas em casa a frequentar a escola em casa.

Hora da consulta, envio mensagem para saber se posso ligar, recebo de volta a mensagem com resposta afirmativa, ligo a video-chamada. A imagem abre, olho para ela, conhecemos-nos há já uns meses, vimo-nos todas as semanas e eu nunca tinha visto este olhar. É um misto de angústia e alívio... Estarei a lê-la bem?
Vou-a cumprimentando enquanto tudo isto passa na minha cabeça e dou-lhe a palavra.
- Ainda bem que podemos fazer estas consultas on-line e que chegou a hora da consulta. Tenho aprendido consigo a chorar, a não ter vergonha de o fazer e a sentir que não é um sinal de fraqueza, mas uma necessidade.
Nunca esta aprendizagem me fez tanta falta.
Hoje deixe-me só chorar... Preciso de chorar aqui consigo, preciso deste tempo só para mim (lágrimas em fio pelo rosto).
Passo o meu tempo a dizer a toda a gente que estamos bem, que isto da quarentena até é bom porque temos mais tempo para estarmos juntos, fiz um plano com todas as tarefas, as miúdas até são responsáveis, que tudo vai passar, que tudo vai ficar bem, ajudo-as nas tarefas, tento resolver os problemas infindáveis do trabalho, ligo aos familiares para ver se estão bem, organizo as listas das compras para sair o menos possível e faço quase todas as compras on-line, ajudo nas tarefas escolares, passo horas no fim de semana a fazer o horário de todas e revejo-o todas as noites quando revejo também os agenciamentos das reuniões do trabalho e como está a concretização dos objetivos, faço as refeições, limpo, e nunca sinto que consigo chegar ao que me proponho. Sinto que falho a todos o momento, mas nem ouso pensar nisto muito. É seguir em frente que amanhã será melhor, e não é, nunca é...
Mas agora não quero falar mais disto. Deixe-me só ficar aqui consigo e chorar...



Rute, Enfermeira, 28 anos

Tenho muito medo.
Eu, que no início adorei ficar a trabalhar no internamento com doentes COVID-19, achei que aí sim eu ia fazer a diferença, e que não sendo de risco, isto nunca me iria afetar, hoje tenho muito medo.
Pensamos que é só uma gripe, só afeta quem é de risco, na televisão aparecem números e os nossos até são números bonitinhos em comparação com Espanha e Itália, mas depois chego ao trabalho e esses números têm nomes, e agonizam de formas que ainda não conhecemos bem, e estão sozinhos. Nós somos as únicas pessoas que vêem, os que conseguem ver-nos. Sem visitas, sem a família...
A doutora não acredita que se pode morrer de solidão?
E depois venho para casa e tenho medo de contaminar os meus. Já não os vejo há semanas e se sofro tanto pela distância, sofro também horrores por poder ser responsável por ver um dos meus a sofrer disto, como vejo os meus doentes.
Engraçado... Agora a aqui na consulta dou-me conta que também eu estou sozinha... tão sozinha...


A Gravidez Vista Por Eles #1

9.7.19
Afonso: - Mãe, mostra lá.

Eu: - O quê, Afonso?

Afonso: - A mana.

Eu: - Eu não posso mostrar, filho, só se vê no fim.

Afonso (Com ar incrédulo): - Com uma barriga desse tamanho e não dá para ver?!


Origem da Imagem


Quinta-feira da Ascensão

30.5.19
É hoje.
E é para mim um dia cheio de memórias e significado, como já lhe disse aqui.
Sou Alentejana e essa minha identidade faz-me reagir a este dia e a canções como a que aqui lhe deixo com muitas memórias lindas e emoção.
Deixo-lhe um bocadinho para si também.




Feliz Quinta-feira da Ascensão e se puder, não deixe de passear hoje no campo e apanhar a sua.

Isto das Relações Tem Muito Que Se Lhe Diga...

14.2.19

Hoje é Dia dos Namorados e o que se vê por todo o lado é gente stressada porque ainda não comprou um presente, qualquer presente, nem interessa o quê, é preciso é ter um presente para que o outro não fique chateado. Gente chateada porque não consegue reservar restaurante, gente a resmungar porque não consegue marcar este ou aquele espetáculo (nem vale a pena, hoje está tudo esgotado)...

Isto leva-me a pensar sobre o que realmente é a essência deste dia. Deveria ser um dia em que dizemos a quem gostamos, que gostamos dessa pessoa. Para mim, é a única forma de que este dia faça algum sentido, e neste momento, o que vejo por todo o lado é toda a gente muito preocupada com a embalagem que vai hoje entregar ao seu namorad@, mas sem perceber o que quer colocar dentro desta embalagem.

Do outro lado da minha vida, vejo gente muito infeliz nas suas relações, na sua relação com o seu/sua companheir@, mas também na sua relação com os filhos, os pais, com os amigos, com a família e sobretudo na sua relação consigo própri@, esta, sem dúvida, a primeira e mais importante de todas.

As relações não são caixas lindas com enormes laços vermelhos e corações que se oferecem no dia de hoje. As relações são uma co-construção em que nós colocamos o nosso tempo, a nossa disponibilidade, as nossas expectativas, as nossas forças e as nossas fragilidades e convidamos o outro a fazer o mesmo, precisamos conhecer o que lá está, de nosso e do outro, e tentamos fazer a melhor das receitas para os dois, com estes ingredientes.

Esperar abrir a caixa de corações e laços e já ter tudo pronto, é meio caminho andado para que não resulte. Encontrar-se sozinh@ nesta tarefa, também não é bom presságio. A boa notícia é que dentro desta caixa tudo se está sempre a alterar, por isso o que hoje não está tão bem, amanhã poderá ficar, se lhe derem atenção os dois e quiserem fazer diferente. Por outro lado esta possibilidade também exige que se queremos que tudo resulte, tenhamos que ter tempo para ver melhor o que estamos a colocar lá de nosso e o que está a colocar lá o outro, e vejamos o que nos faz sentido a cada momento, por isso se diz que as relações dão trabalho, mas é esse mesmo trabalho, e não o fim, que é A Relação. Tudo isto é válido para relações românticas, mas também para a nossa relação com os nossos filhos, com os nossos amigos, familiares, e na nossa relação connosco.

Não há relações perfeitas, mas elas podem ser perfeitas para nós tal e qual como são, e se ainda não estamos aí, então vamos meter mãos à obra e tentar ver o que posso eu fazer para melhorar aquilo que quero melhorar e não esperar que isso me seja oferecido hoje numa linda caixa como laços e corações.

Hoje antes de sair de casa fui a cada um dos "meus homens" à sua vez, dei um beijinho, um abraço apertado, olhei nos olhos até ser vista e disse-lhes: "- Feliz Dia dos Namorados ". E tive dos olhinhos deles o meu melhor presente deste dia.

Feliz Dia dos Namorados para si também . Gosto muito que esteja por aqui connosco. <3 

Feliz Dia da Familia!

15.5.18


Feliz Dia da Família!

Os dias são corridos, o tempo parece conseguir sempre correr mais que nós, e é essencial termos noção clara das nossas prioridades para não sermos atropelados por ele. 

Por aqui a prioridade é a família, não estamos todo o tempo juntos, mas no tempo que estamos tentamos estar de facto uns com os outros. Não falta tempo para conversar, para explicar e para mimar, ainda que a custo de séries que não vemos, de semanas sem sentar no sofá, de livros que se acumulam na mesa de cabeceira. 

Afinal, prioridade é isso, é pôr primeiro. 

Ainda assim, há birras, amuos, cansaço e dificuldades, claro. Também tudo isso faz parte da estar juntos, somos uma família real e as famílias reais não são as que têm sempre toda a gente feliz e bem comportada, são as que aprendem entre si a sua melhor forma de ultrapassar estas situações, deixando a todos mais unidos e mais capazes.

Feliz Dia da Família! De todas as famílias, das famílias reais.

Eu Não Educo Os Meus Filhos Para Não Baterem Em Meninas

22.3.18

Origem da imagem

Eu nunca ensinei aos meus filhos que não se bate em meninas. 
Ensino que não se bate. Ponto. 
O que é que está implícito em "Não se bate em meninas"? Que em meninos é adequado bater? Que as meninas não sabem bater? Que batem mais de volta? 
Para quê estar a criar neles uma nova questão que sublinha a diferença, quando o importante é reconhecer as características únicas que todos temos e fomentar a aceitação dessas características em nós e nos outros.
Se é menina ou menino, não interessa. Interessa saber que uns são menores, outros maiores, uns gostam de umas coisas e outros de outras, uns podem ser mais fortes e outros menos, e todos têm que ter espaço para serem dessa forma, todos têm que ter direito a isso, a ter as suas características próprias e a serem quem são, sem terem que ter medo ou que fingirem ser como os outros. 
Se todos aprendêssemos a agir assim, ser menina, menino, alto, baixo, branco, preto, azul ou amarelo, tento faz. 
Não se bate, porque está errado, o género não é para aqui chamado.

Dia Internacional da Mulher "A Responsabilidade é Grande, e a Tarefa é a Mais Importante"

9.3.18
Ilustração @joaorodrigues.art

Dia Internacional da Mulher

Estive todo o dia com esta expressão interior que só o João Rodrigues consegue traduzir.
Todo o dia meio perdida nos meus pensamentos, meio angustiada...

Sempre que assinalamos um dia importante, eu explico aos meus filhotes, o porquê de se comemorar este dia, mas hoje senti-me envergonhada antes do o fazer. Como lhes vou explicar  que nos dias de hoje ainda tenhamos que lutar por algo que lhes mostro desde sempre como igual? Como justificar que alguém algures no decorrer do tempo, decidiu que havia seres superiores e inferiores baseados no género, etnia, credo, ou em qualquer outra característica que nos engrandece enquanto diversidade? Os meus sentimentos flutuaram entre o não querer mostrar-lhes essa horrível parte, a vergonha enorme disto ter acontecido alguma vez na história, e o horror de acontecer ainda nos dias que correm.

Nem sei quando conheci o significado do dia de hoje, lembro-me “desde sempre” da sua grande abrangência e significado. Felizmente, nunca me senti ou me fizeram sentir menor ou diferente por ser mulher, pelo contrário, venho de uma família em que quer da parte do pai como da parte da mãe, as mulheres tomaram a vida delas nas suas mãos e traçaram os seus destinos. Desde sempre soube que ser mulher era tudo isso, e agradeço-o às mulheres da minha vida, mas também aos homens. Os homens da minha vida, família e amigos, também nunca me fizeram sentir diferente deles, com todo o direito às diferenças que todos temos, homens e mulheres, e por tudo isto, para mim foi natural ser.
Mas hoje, a juntar aos números da violência doméstica e a tantas outras injustiças de género, o acentuar da diferença salarial entre homens e mulheres em Portugal nos nossos dias, para além de tudo o que agonia nisto, a angústia e a responsabilidade de ser mãe de dois meninos, pesa-me...

A responsabilidade é grande, e a tarefa a mais importante.

Que a inspiração das Mulheres e Homens da minha vida me ajude a plantar neles o mesmo que plantaram em mim.

Feliz Dia Internacional da Mulher.

Não É Uma Tragédia

2.3.18
Sexta-feira,
Chove e já estamos em março...
A vida corre, quase sempre depressa demais, quase sempre sem que tenhamos muita consciência.
"- É assim, é a vida."
ouço vezes demais.
Não concordo que tenha que ser assim. Muitas vezes já aqui falei da minha guerra permanente com o tempo, que poucas vezes se apazigua. E quando fazemos as pazes, o que acontece quando viajo ou quando estou com o meu clã, e apenas estou, aí parece-me quase sempre uma caridade que o tempo faz comigo, uma migalha do que poderia ser.
A minha vida toda não cabe no tempo e os dois sabemos disso.
Do outro lado da minha vida vejo todos os dias gente que sofre, na maioria por não estar a viver.
- Talvez um dia eu ganhe coragem...
- Um dia eu vou fazer essa viagem...
- Qualquer dia eu saio mesmo deste trabalho...
E assim a vida passa, carregada de sobreviventes que um dia não ousaram viver. E assim a vida passa...
E isso sim, é uma tragédia.

A Propósito das Festas de Natal da Escola...

17.12.17
Origem da Imagem


Um abraço apertado a todas as Educadoras  e Auxiliares que foram hoje as únicas pessoas em palco a fazer a coreografia, a todo o pessoal das escolas que pensou, dirigiu e ensaiou as festas de Natal, que acudiu a choros, a crianças que acenam aos pais, às que fogem do palco. Ás pessoas que acalmaram pais ansiosos, maquilharam e remaquilharam os nosso filhos, que estiveram ali de principio ao fim, tendo muitas vezes por isso que faltar a festa dos filhos delas.

Um abraço apertado às mães que por entre batalhões de gente nas lojas procuraram e acharam camisolas verdes, vermelhas, brancas brilhantes, barretes de Pai Natal, asas de anjo, bandoletes com hastes de rena, e mais um sem número de adereços que vinham na lista das coisas precisas para a festa.

E o mais apertado dos abraços às mães e pais que porque o horário das festas foi entre as 10h da manhã até pelo menos as 16h, não tiveram hipótese de estar presentes no único e mais importante evento onde queriam e deveriam estar, a festa de natal da escola dos seus filhos.

(Hoje vi lágrimas de desgosto demais, em olhos onde deveriam ter estado lágrimas de comoção.)

Descobri Que a CERELAC Tem a Mesma Origem Que Eu!

24.8.17
A convite da CERELAC, fui conhecer a origem dos cereais que a compõem, e muitas outras coisas sobre esta que é para mim, a mais saborosa das papas Nestlé.

Adorei o dia por todos os motivos, mas o mais surpreendente foi que a CERELAC tem a mesma origem que eu. ;)



Conto tudo aqui no blog.

5 Segredos Para Umas Férias Inesquecíveis em Família by Bicharocos Carpinteiros

9.8.17

https://www.facebook.com/bicharocoscarpinteiros/
Créditos de imagem: Tales of Light

- Vão de férias para onde? Mas sem os miúdos, certo?
- Férias com crianças são uma canseira, nem deviam chamar-se férias.
- Fica caríssimo viajar, e com os filhos então...
- Eles ainda são pequenos, não aproveitam nada e nem se vão lembrar, porque os levam?

Ouvimos muitas vezes estas observações por parte de amigos e familiares e concordamos em parte com quase todas.

É verdade que férias com os miúdos, não são aquela imagem idílica de férias à beira-mar, onde um chapéu de sol e um livro chegam para fazer o tempo parar e retemperar energias. Na verdade, não tem mesmo nada a ver com isso,  pelo menos com os meus filhotes e a energia que os caracteriza. No entanto, são também as férias que quero agora (Sublinhe-se o  "também", porque essas férias de sossego e tranquilidade, também me agradam e muito, sempre que posso não abdico, mas não foram a nossa escolha para estas férias).

Férias em família para que corram bem, implicam vários pontos a ter em conta:

1.  (muita) Disponibilidade -  para a qual precisamos de nos preparar. 
Não é só sair dos últimos dias de trabalho em que o mundo parece acabar se não ficar tuuuudo pronto, fazer muitas malas (muitas mesmo) e ir. É importante preparar-se para a falta que todos sentimos uns dos outros e que o dia-a-dia não permite preencher, e que todos, em especial os pequenitos, vão tentar não deixar escapar esta oportunidade para terem. "-Mãe..."; "-Mãe!" ; "- Mããããeeeeee"; "- Oh, Mãe..." Serão seguramente as expressões mais ouvidas (às vezes até mesmo já sem eles as dizerem, tal é o hábito.) 

2. Outro dos pontos-chave é a Negociação. Já?! Pensarão alguns pais mais inexperientes ou mais distraídos. Sim, já há muito tempo que esta é uma das características mais trabalhadas aqui em casa, infelizmente com os filhos a aprenderem depressa de mais...

Afonso: - Mãe, vamos a praia? Eu quero ir a praia!!! 
Francisco: - Mãe, disseste que podíamos ficar na piscina!
Afonso: - Mas eu quero ir a praia!!!
Francisco: - E eu quero ficar na piscina!

Este é só um discurso exemplo, podemos repetir esta sequência trocando os nomes dos filhos, pois desde que um queira uma coisa, o outro lembra-se de imediato que afinal, quer outra... 
Desde o que comer ao pequeno-almoço, as atividades a fazer, os brinquedos que querem levar, as histórias que querem que lhes leia, enfim... Tudo nas férias requer duras negociações, sendo que eles têm uma arma que nós não usamos (ainda) e que é infalível nisto de tirar a paciência aos pais: a birra.

3. Força. Isso mesmo, força! É toalhas, chapéu-de-sol, brinquedos, lanches, protetores solares, pó de talco, roupa suplente, água, pranchas, livros e revistas que aguardaram pacientemente todo o ano para que tenhamos tempo, nós pais, de ler agora em tempo de férias e que passearão todas as férias connosco juntos com uma réstia de esperança de que seja estas férias que vão finalmente ser abertos,  e por fim a cereja em cima do bolo: colo. Levá-los ao colo, que estão cansados...

4. Paciência. Esta é a pièce de résistance, a jóia da coroa, a chave para quase tudo. 
Se a tem naturalmente, parabéns! As suas férias estão praticamente garantidas. Se como eu ou o comum dos mortais, sente que férias e os seus filhos são a Criptonite da sua Super-paciência, calma... Lembre-se que pode contar mentalmente até 10 (ou 100...), pode respirar calma e profundamente, ou até sair de cena (ir à varanda, casa de banho, ir até à cozinha e beber um copo de água, enfim, uma saída estratégica rápida para retomar controlo), e sobretudo, não perder o Foco.

5. A mais importante de todas: O Foco. A noção clara de que estas foram as férias que escolhemos. Estas são as férias pelas quais esperei todo o ano, segredando-lhes à noite num abraço apertado e com a noção de ter estado com eles muito menos tempo do que gostaria: "- Tenho saudades tuas...". Estas são as férias irrepetíveis. Posso voltar ao viajar, a ter férias paradisíacas em sítios onde já estive,  posso ir conhecer destinos paradisíacos onde ainda não vai ser este ano que vou estar, mas não posso voltar a estar de férias com os meus filhos com 5 e 7 anos.  Estas férias são de facto irrepetíveis, e eu sei que vamos ter muitas, muitas saudades delas.

Agora, Boas Férias e aproveite tudo! 
Vamos ter muitas saudades...

Fast Life

17.5.17
Origem da imagem



Hoje de manhã no carro, estava a ouvir as notícias e ouço os resultados deste estudo, que coloca Portugal num dos 5 países com mais adolescentes obesos.
As causas apresentadas são o abandono da nossa dieta mediterrânica, a redução do consumo de fruta e vegetais, muito associado à crise económica, e o sedentarismo. É mais barato comer Fast Food, que comer bem, fica mais em conta comprar uma refeição numa loja de comida rápida, que comprar fruta e outros alimentos frescos e cozinhar as refeições. Mas de seguida, nestas notícias na rádio, entrevistam-se pais, que dizem o que todos nós ouvimos diariamente, mas que abrem outras perspetivas às quais fico presa:
"- Pequeno-almoço?! Pois sabe, nem sempre há tempo. Na maior parte das vezes bebe um pacote de leite a caminho da escola..."
" - Para comer alguma coisa, tem que ser o que ele gosta, senão é uma guerra e ao fim do dia já não há tempo, nem paciência..."
" - Se não lhe damos o tablet, não se despacha a comer..."
" - Eu gosto muito de cozinhar, mas no dia-a-dia não há tempo para isso..."

O problema não é a Fast Food, o problema de base, chão para este e tantos outros problemas familiares e individuais, é a Fast Life.
Todos nós nos angustiamos com o correr do tempo, com não termos tempo para nada, nem para nós, nem para estar em família. Angustiamo-nos com o que o tempo custa a passar no trabalho, nos transportes, no trânsito. Com a velocidade a que crescem os nossos filhos, como passa tão depressa, assumimos todas as consequências que isso traz para a nossa família, para a nossa saúde e bem-estar, para os nossos filhos, com crescente angústia, e sempre sem parecer haver solução. Parece-me que o que precisamos não é só reaprender a comer, é reaprender a viver, é mudar o paradigma.

Sabemos que as mães têm sempre a solução para tudo. Será que conseguimos chegar à solução para mudar o paradigma da nossa (família incluída, claro!) vida?

Todas as sugestões são bem-vindas.

Parabéns e Obrigado! António Lobo Antunes | Prémio Vida e Obra 2017

24.3.17
Há pessoas que fazem parte da nossa vida duma forma extraordinária. Pessoas capazes de nos tocar de uma forma única e alguma delas dotadas de uma capacidade incomum, quase não humana de tão intimamente sensível que é.

Para mim, António Lobo Antunes é o expoente máximo dessa característica. Consegue sempre atingir-me de forma brutal, pelo melhor, e pelo pior da nossa condição humana, tem sempre a palavra que desfere o pior soco no meu estômago, ou a que fere com a lança mais funda. Nunca me é indiferente. Fico sempre profundamente tocada.

Hoje ao ver a entrega deste prémio que considero merecidíssimo, fiquei mais uma vez profundamente tocada pelo que escolheu dizer, pela referência aos episódios de família, às estratégias dos pais para as angústias deste filho (e acredito que deles próprios também), pela anatomia pesada em quilos, pela ordem de superior militar dada ao Sr. Barata. Passado e Futuro. Aquilo que somos, mostra aquilo que fazemos do que nos deixaram de herança. Aqui tão bom...



Parabéns, António Lobo Antunes, e Obrigada.

Dia da Mulher: Mães, a Nossa Contribuição é Urgente.

9.3.17
Origem da Imagem

Nasci numa família de mulheres e nunca, em nenhum momento da minha vida, senti isso como uma fragilidade. Pelo contrário.
Somos muitas, todas donas da sua vida, umas casaram outras não, umas tiveram filhos, outras não, quase todas mulheres de carreira, mas também há as que não.
Tenho em todas as gerações, mulheres que saíram de casa cedo, sozinhas para trabalhar ou estudar longe, para fazer a sua vida. Para mim essa sempre foi a norma.
A minha avó paterna era professora primária, profissão que sempre adorou. Após o 25 de Abril de 74,  para que pudesse continuar a dar aulas, teria que fazer o então Magistério Primário, caso contrário teria que deixar de dar aulas. Na altura era casada, tinha um filho na tropa e vivia a 70 km de Évora, o Magistério Primário mais próximo. Decidiu ir (como não?), o que implicou mudar-se para Évora, vir a casa aos fins de semana onde o meu avô permaneceu, até concluir o Magistério. A minha mãe, separou-se quando ainda ninguém o fazia, fez as suas escolhas e criou-nos sozinha. A mensagem passada por palavras e ações sempre foi que ser Mulher é ser capaz, decidida, sensível e cuidadora.
Mas para tudo o que sou hoje, os meus homens também foram essenciais. O meu avô, sempre nos foi próximo, sempre o vi fazer tudo, desde bricolage a saborosos petiscos. O meu pai sempre nos levou a mim e à minha irmã a todo o lado com ele, nunca senti que houvesse sítios que eu não pudesse ir por ser menina. Sempre foram muito próximos e carinhosos. Os meus amigos, sempre me fizeram sentir igual e pertencer genuinamente ao grupo. O meu marido é meu cúmplice e não faria sentido se assim não fosse.
Hoje tenho a maior das tarefas em mãos: Tenho uma casa de homens, sou mãe de dois meninos. Senti uma inquietação crescer quando percebi que o meu primeiro filho era menino. Como é que eu vou conseguir criar um Homem? Um Homem com "H", que saiba ser cúmplice, carinhoso, tolerante, apoiar os seus, que saiba ser Homem. Para ajudar, dupliquei a tarefa quando chegou o segundo filho. E cada vez tenho mais consciência da importância desta minha missão. Temos que saber educar as meninas a saberem ser o melhor de si, a serem seguras, a confiarem em si mesmas, mas se não mudarmos a forma de educar os meninos, o mundo não pode ficar melhor.
Todas nós Mães, temos em mãos a maior das missões: Transformar o Mundo.
Força e inspiração a todas para que o possamos fazer sempre, para um mundo mais justo, mais humanizado, melhor.
Que nunca esqueçamos:
" the hand that rocks the cradle
 Is the hand that rules the world."
 by William Ross Wallace (1819-1881)
(a mão que embala o berço é a mão que governa o mundo)

Feliz Dia da Mulher.

Bom Presságio!

2.2.17
Dia de Nossa Senhora das Candeias

Martisses ilustração
Desde muito pequena que me lembro de esperarmos este dia com saudades do verão, para saber novidades do bom tempo. Diziam os meus avós:
"Se a Senhora das Candeias rir, está o inverno por vir, se chorar, está o inverno a acabar."
Segundo os conhecimentos antigos, se no dia da Senhora das Candeias faz sol, temos o pior do inverno ainda por chegar, se chove, o pior do inverno já passou.
Por aqui todo o dia choveu, será que o bom tempo já está por aí a espreitar?

O Que Acontece Quando Paramos De Pôr As Pessoas Em Caixas

2.2.17
A tarefa das mães, Mães com "M", que podem nunca ter tido filhos biológicos, que podem ser homens, que podem ser avós, tias, vizinhas, professoras, a tarefa de quem forma um novo ser, é a tarefa mais importante da Humanidade. É aí que todas podemos fazer a diferença.
Nos tempos que correm, esta tarefa é ainda mais importante. Vemos o mundo a questionar o que achávamos inquestionável: Direitos Humanos, valores de Paz, de Igualdade, de Amor.
Cabe-nos a nós, ensinar estes princípios, ensinar aos nossos filhos que somos todos mais que cores, credos, etnias, cabe-nos a nós ensinar os nossos filhos a retirar as pessoas destas caixinhas em que todos os dias, com a ajuda do medo, todos as vamos colocando. Não nos esqueçamos que ao ensinarmos que todos somos muito mais que as caixas onde nos colocam, estamos a ensiná-los a ver realmente as outras pessoas, assim como também estamos a ensiná-los a nunca acreditarem que são apenas a caixa onde alguém os pode colocar.


Abertura Oficial da Época de Natal

15.11.16
Porque a mensagem mais importante é esta.  Porque o que verdadeiramente é para nós o espírito do Natal, é a reunião e a partilha, sempre.
Porque o maior prémio é poder partilhar, abrimos a época de Natal 2016 aqui no blog com este maravilhoso anúncio.

O Tempo

24.9.16
https://www.facebook.com/bicharocoscarpinteiros/


Continuo a minha batalha. Ele ganha.
Ele ganha sempre e eu vivo uma briga constante com ele.
Só quando viajamos fazemos as pazes. Aí ele dá-me tréguas, senta-se ao meu lado e deixa-me descansar. Olha para mim como um amigo de sempre, olha para o que eu olho, gosta de ver, gosta de me ver assim, quieta por fora e a crescer tanto por dentro. Quando voltamos desaparece por uns dias, poucos, deixa-me naquele torpor de quem acorda devagarinho, e depois volta à carga com tudo o que me tira do sério. E volto a correr, e a batalhar sempre com a sensação de um filho pequenino que brinca ao braço de ferro com o pai. O pai olha com ternura, deixa que o pequenito faça força e quando quer, vira o jogo.
Tem sido sempre assim. E eu não acredito que algum dia possa ser de outra maneira. Resta-me a saudade de quando viajamos, é tão boa essa nossa paz...
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