Serão os Edulcorantes Seguros na Gravidez?

11.4.13

Bom dia!
Hoje temos a colaboração da Dra. Jennifer Tretter Ferreira, num tema muito debatido e controverso: Os produtos Light e Zero, serão seguros na gravidez?
Veja aqui, veja as referências e tire as suas conclusões.


Edulcorantes são seguros durante a gravidez?
Os edulcorantes são substâncias adicionadas aos alimentos e bebidas para proporcionar sabor doce sem calorias ou com muito poucas calorias. A maioria dos edulcorantes é centenas de vezes mais doce do que o açúcar, o que significa que basta adicionar pequenas quantidades para obter um efeito adoçante.
Segue-se uma lista de edulcorantes aprovados pela Autoridade Europeia de Segurança Alimentar ou EFSA (sigla em inglês):

Edulcorantes:
E950 Acessulfame potássio (K)
E951 Aspartame
E962 Aspartame-acesusulfame sal  (64% aspartame e 36% acessulfame)
E952 Ciclamino
E959 Neohesperidiniade dc
E961 Neotame
E954 Sacarina
E955 Sucralose

Edulcorantes de origem vegetal:
E957 Thaumatin
E960  Steviosídeo
E958 Glycyrrhizin

Os Poliálcoois:
E-420 Sorbitol
E-953  Isomalte
E-967  Xyitol
E-965 Maltilol
E-421 Manitol
E-422 Glycerol
E-966 Lactitol
E-968  Erythritol


Ao longo do tempo tem havido bastante controvérsia sobre o consumo de edulcorantes e a sua ligação (caso exista) a provocar cancro. Esta batalha teve avanços e retrocessos ao longo de décadas, mas atualmente, tendo em conta todos os estudos, essa suspeita ainda terá que ser comprovada. Nos últimos anos, estudos emergentes surgiram com uma conexão para outras condições de saúde, incluindo a obesidade, diabetes, doença metabólica e saúde cardiovascular. Concluindo, nós ainda consideramos os edulcorantes como "geralmente reconhecidos como seguros", quando consumidos com moderação.
São poucos os estudos que nos fornecem diretrizes no que diz respeito ao seu consumo durante a gravidez. No entanto, regra geral, os edulcorantes são considerados pela EFSA como sendo seguros quando consumidos com moderação; salvo em casos específicos, como o de pessoas com uma rara doença genética chamada fenilcetonúria ou PKU. As pessoas diagnosticadas com PKU devem evitar completamente o consumo do edulcorante aspartame porque o seu organismo é incapaz de metabolizar a fenilalanina (que também é encontrado naturalmente em alguns alimentos). Se uma grávida com PKU não seguir uma dieta específica, a fenilalanina acumular-se-á no seu corpo, prejudicando o feto. Para pessoas sem diagnóstico de fenilcetonúria é considerado seguro o consumo de aspartame.
Outro ponto de enfoque nos estudos é o consumo de sacarina (E-954). Os estudos em cobaias (macacas rhesus grávidas) bem como estudos em humanos demonstraram que a sacarina atravessa a placenta para o feto. Devido à pouca informação disponível sobre o risco para seres humanos, após a exposição in útero à sacarina, o uso deste edulcorante deve ser evitado durante a gravidez. É importante destacar que não houve aumento na incidência de abortos espontâneos em mulheres que consumiram sacarina.
Relativamente ao Ciclamato (E-952), este está aprovado na União Europeia, mas proibido nos EUA desde 1969, após um estudo, realizado em ratos, que sugeria que este poderia a causar cancro na bexiga. Após re-exame da carcinogenicidade do ciclamato e da avaliação dos dados adicionais, os cientistas concluíram que o ciclamato não era cancerígeno ou co-cancerígeno, no entanto permanece não aprovado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA. A Associação de Gravidez americana também recomenda que a população de gestantes e não gestantes evite o consumo de ciclamato, devido ao facto de permanecer não aprovado pelo FDA.
No que diz respeito ao resto dos edulcorantes parecem ser seguros, se consumidos com moderação. É claro que ainda temos de definir moderação. Mas a moderação do consumo de adoçantes artificiais parece extremamente difícil de determinar. Se olhar para a maioria dos estudos realizados em humanos que consomem edulcorantes, o foco é sobre os riscos potenciais envolvidos com o consumo diário de um edulcorante geralmente sob a forma de refrigerantes light. Então, se olharmos novamente para os níveis de Ingestão Diária Aceitável determinados pela EFSA, temos uma perspetiva diferente. Os níveis recomendáveis são determinados pelo peso. Por exemplo, a Ingestão Diária Aceitável de aspartame para uma pessoa com 70 Kg é de cerca de 20 latas de bebida adoçada com aspartame ou cerca de 100 saquetas de aspartame por dia. Certamente esta não é a definição de moderação.

Os Poliálcoois são um tipo de hidrato de carbono que adoça alimentos, mas com metade das calorias do açúcar. Quando ingerido em grandes quantidades, geralmente mais de 50 gramas, (mas, em alguns casos, apenas 10 gramas), os álcoois de açúcar podem ter um efeito laxante, causando inchaço, gases intestinais e diarreia. Mais uma vez, estes são geralmente reconhecidos como seguros quando consumidos com moderação por mulheres grávidas.
A gravidez, em si, já induz problemas com o trato intestinal, tome cuidado para não agravar esta situação!
Onde podem ser encontrados esses edulcorantes e poliálcoois?
Em geral, eles são encontrados em refrigerantes diet ou light, sumos light, pastilha elásticas, produtos de confeitaria (doces), sobremesas congeladas, pudins, misturas para sobremesas, e iogurtes. Eles costumam chamar a atenção, para si próprios, com etiquetas nas suas embalagens, tais como: "light", "zero", "magro", "sem açúcar" ou "menos açúcar". Se encontrar um produto com esta alegação, verifique a lista de ingredientes para ver se você encontra um dos edulcorantes acima listados. Eles também são amplamente utilizados na área da saúde, para tornar muitos medicamentos mais agradáveis ao paladar.
Em comparação com os alimentos naturais que compõem a nossa alimentação, os edulcorantes são uma adição relativamente nova. Parece-me natural que haja muitas áreas cinzentas (pouco definidas) na capacidade de provar qualquer potencial dano que um edulcorante possa provocar, porque singularizar apenas um componente numa dieta é extremamente difícil de fazer.
Eu sempre fui receosa em contradizer a mãe natureza, por esta razão recomendaria evitar os edulcorantes e os poliálcoois, tanto quanto possível, especialmente a sacarina e o ciclamato. Com base em estudos recentes, eu desejaria que todas as pessoas eliminassem quaisquer formas de refrigerantes (light ou regular) uma vez que eles simplesmente não têm nenhum benefício. No caso das mulheres com diabetes gestacional e / ou em dietas de restrição calórica, pode no entanto ser um alívio saber que a ciência não apresenta efeitos colaterais nocivos comprovados acerca dos adoçantes listados, no caso de querer desfrutar de algo doce de vez em quando, mas tome o cuidado de evitar a Sacarina (E954).
A situação de cada um é única, por isso converse com o seu médico e nutricionista para um plano mais adaptado a si.
Estudos recentes de interesse, relativos aos edulcorantes:

Refrigerantes diet e saúde cardiovascular:

Refrigerantes diet e regular, conexão à diabetes e síndrome metabólica: http://care.diabetesjournals.org/content/32/4/688.full
Consumo de edulcorantes relacionados ao ganho de peso: https://news.uns.purdue.edu/x/2008a/080211SwithersAPA.html 
Posição do EFSA sobre a ingestão de refrigerantes com edulcorantes e parto prematuro:      (Halldorsson et al., 2010): http://www.efsa.europa.eu/en/efsajournal/pub/2089.htm



Jennifer Tretter Ferreira
Nutricionista/Dietista
dietistajennifer@gmail.com

Sem comentários:

Enviar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...