Mães Como Nós #2 - Certezas da Maternidade

24.7.18
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"Estou farta, fartinha deles!
Isto parece loucura, mas é mesmo assim que o sinto. Estou esgotada, farta de ralhar, de gritar, de arrumar brinquedos do chão, de fazer sacos e malas e mochilas de roupa, fraldas, biberãos, mais a tralha toda da praia, para descobrir que me esqueci da única coisa que não me podia ter esquecido: O peluche do o-ó do mais novo.
Que tipo de mãe se esquece da única coisa essencial para o mais novo?! Só uma mãe incompetente! Sinto-me a pior das mães. Vou daqui para o Algarve para descobrir lá, que levei o carro atafulhado de coisas que até podia ter comprado lá, afinal o Algarve ainda não é o fim do mundo, e esquecer-me da única coisa que não é possível substituir. Nada, NADA, substitui o coelhinho do o-ó.
Isto é um tormento.
Passo o ano inteiro a sentir-me culpada por não ter tempo para estar com eles, por passar os dias a correr, a dar-lhes pressa, sempre com o fito nestes dias de férias, dias em que finalmente poderíamos estar todos juntos, sem pressas, só uns com os outros, a ser felizes, e agora sinto-me tal qual um burro a correr atrás de uma cenoura que nunca chega.
Sou um fracasso na única tarefa onde gostava genuinamente de me sentir competente. Dei por mim descontrolada, a chorar entre sacos de sandes e toalhas de praia que era preciso carregar de madrugada (como sabe os bebes não podem apanhar sol nas horas normais), para o lugar mais recôndito da praia, onde eles podem brincar à vontade (à vontade que é como quem diz...)...  De repente estou ali, desesperada e vejo 3 pares de olhinhos assustados a olhar para mim. A minha filha do meio fez-me uma festinha na perna e disse-me:
- Tas tiste, mãe? Não queres ir a paia?
Desabei naquele instante.
Olhei para eles e senti-me ainda mais desesperada... Eles mereciam melhor.
E nesse instante apeteceu-me fugir dali, mas ao mesmo tempo quis crescer 3 metros e abraçá-los a todos e conseguir resolver tudo.
Isto é tão difícil, tão difícil...
Ouvimos dizer toda a vida:
"- Só vais perceber quando fores mãe."
E eu cheia de certezas pensava: "Deve pensar que vou ser assim como ela. Eu sei muito bem o que quero passar aos meus filhos e como os quero educar!"
Ironicamente o que me passou foi a certeza. Perdi todas as certezas desde que fui mãe. E a segurança. Nunca sei se eles estão a ouvir o que eu estou a dizer, ou se estão a interpretar outras coisas. Eles são 3 e são 3 mundos completamente diferentes. Como é que é suposto eu saber o que fazer e como fazer com cada um deles?
Ás vezes penso que eu não nasci para ser mãe... Apesar de toda vida ter querido ser mãe, agora duvido e desespero... E é nesses momentos que me vêm à ideia aqueles 3 pares de olhinhos expectantes a olhar para mim e cresce em mim uma força que eu não conhecia, só quero estar com eles, aprender a dar-lhes o melhor, o que eles realmente precisam.
Eu não estou bem. Não posso estar. Só penso em fugir deles, preciso fugir deles e ao mesmo tempo eles são a primeira coisa que penso levar nesta fuga.
Diziam as mães que eu só perceberia quando fosse mãe, quem me dera agora que isso fosse verdade..."

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